Mostra Latino-Americana

Estrondos da terra, das águas, das árvores. Lirismos das ruas, das casas, das mentes.

Entre os filmes desta seleção latino- -americana, podemos enxergar uma certa dança descompassada. De um lado, ela é protagonizada por um grande ruído da natureza, trazido por filmes que a celebram como força motriz de suas narrativas, seja como presença espiritual e mítica, como território que carrega marcas de colonialidade, memória e violência, ou como puro agente catalisador de pulsões humanas.

No outro lado dessa dança, sendo conduzida, temos uma figura humana mais intimista, sensível, voltada para um universo prático e cotidiano. Alguém que quer se comunicar, que quer se conectar. Há uma vida por viver, há um baile por bailar. Vamos em frente.

Há desalento por uma mãe que partiu, por um país dilacerado, por um rio que morreu. Mas há vida em formas imperfeitas e cativantes: na camponesa colombiana que quer doar seu corpo à ciência; na mulher de meia idade que quer entregar seu corpo à floresta úmida no Chile; no menino mexicano que empenha toda sua força em um ringue de boxe.

Espaço central da experiência latino- -americana, o corpo se confirma aqui como sua última fronteira e ganha força na medida em que afirma e demanda sua presença
no mundo.